Como calcular o preço de venda sem perder dinheiro: o passo a passo prático
Direto ao ponto
- Multiplicar o custo do produto por dois é o jeito mais rápido de ter prejuízo sem perceber.
- O preço de venda precisa cobrir o custo do fornecedor, os impostos, a taxa da maquininha, a conta de luz e contribuir para a margem de lucro desejada.
- Use a Calculadora de Precificação Inteligente e encontre um preço de referência em poucos segundos.
Sabe aquele mês em que a empresa vendeu muito, todo mundo comemorou, mas chegou o dia 5 e o saldo no banco não foi suficiente para pagar os fornecedores? Uma das causas possíveis é a precificação inadequada. Os prazos de pagamento e recebimento também podem apertar o caixa mesmo quando há vendas.
Cobrar barato demais pode quebrar a empresa. Cobrar caro demais pode afastar os clientes. O problema é que a maioria dos empreendedores define o preço olhando apenas para a concorrência ou fazendo a velha conta de padaria de comprar por 50 e vender por 100.
Se você faz isso, os 50 de diferença não são o seu lucro. Desse valor ainda vão sair o imposto da nota fiscal, a mordida da maquininha de cartão, o aluguel, a internet e o seu pró-labore.
Os 4 elementos do preço de venda
Para precificar com segurança e ver a cor do dinheiro no fim do mês, você precisa somar quatro coisas:
- Custo do produto: quanto você pagou pela mercadoria ou pelo material do serviço.
- Despesas da venda: aquele dinheiro que só sai quando a venda acontece (o imposto do Simples Nacional, a taxa do cartão e a comissão do vendedor).
- Contas fixas: a fatia do aluguel, contador, água e luz que cada produto vendido precisa ajudar a pagar.
- O seu lucro: o dinheiro limpo que sobra para o caixa da empresa depois de pagar tudo isso.
Um exemplo na vida real
Imagine que você comprou um produto no fornecedor por R$ 100,00.
O imposto e a taxa da maquininha somam 12%. As contas fixas do mês (aluguel, energia, internet) consomem 15% de tudo que você vende. E você quer que sobre 15% de lucro.
Somando essas porcentagens (12% + 15% + 15%), chegamos a 42%. Isso significa que 42% do valor que o cliente passar no cartão vai sumir só para pagar a operação.
Usando a regra de mercado (chamada de Markup Divisor), a conta é: R$ 100,00 divididos por 0,58 (que é 1 menos os 42%). O preço de referência para vender é R$ 172,41.
Para onde vai cada real do preço
O custo do fornecedor é pouco mais da metade do preço. A outra metade paga a operação e o seu lucro, e é justamente a parte que some da conta quando alguém simplesmente dobra o custo.
R$ 200,00 (o dobro do custo) ficaria acima do valor de referência calculado. Antes de cobrar esse preço, seria necessário avaliar o mercado e o valor percebido pelo cliente. Já R$ 140,00 fica abaixo do que cobre os seus custos, ou seja, você estaria pagando para trabalhar.
Os três preços do exemplo
Cobrar R$ 140 significa pagar para trabalhar. R$ 200 pode ser possível, mas aí a pergunta deixa de ser de custo e passa a ser de mercado e de valor percebido.
Responsabilidade e fontes
As alíquotas de imposto mudam conforme a faixa de faturamento do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006) ou as regras do MEI. Consulte sua contabilidade para ter os percentuais exatos do seu negócio.
Perguntas frequentes
Posso apenas multiplicar o custo do produto por dois ou três?
Não. Esse cálculo ignora os impostos e as taxas da maquininha. Você pode acabar tendo prejuízo ou cobrando um valor muito acima do mercado.
Como calcular o preço de um serviço?
A lógica é a mesma, mas em vez do custo da mercadoria, você soma o valor da sua hora trabalhada com os materiais utilizados no atendimento.
Veja também
- A armadilha do desconto, para não devolver de graça a margem que você acabou de calcular certo.
- Os pequenos custos que ninguém percebe, que também precisam entrar na sua conta de preço.
- O que é markup divisor, o termo técnico por trás do método usado nesta calculadora.