Economês traduzido: Selic, CDI, IPCA e dólar sem jargão
Direto ao ponto
- Selic, CDI e IPCA aparecem todo dia no noticiário, mas raramente são explicados de um jeito que faça sentido no dia a dia.
- Entender esses quatro indicadores ajuda a tomar decisão melhor sobre onde guardar dinheiro e quanto custa pedir emprestado.
- Veja os indicadores de hoje, atualizados direto do Banco Central.
Neste artigo
Ligar a TV ou abrir um aplicativo de notícias e ouvir "a Selic subiu" ou "o IPCA veio acima do esperado" pode soar como um idioma à parte para quem não trabalha com finanças. A boa notícia é que, por trás do jargão, esses números são bem mais simples do que parecem, e entendê-los ajuda direto no bolso.
Os quatro indicadores mais citados
Selic: a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central. É a referência para quanto rende a renda fixa mais segura do país e para quanto custa o crédito de modo geral. Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro e a renda fixa rende mais.
CDI: a taxa que os bancos usam para emprestar dinheiro uns aos outros de um dia para o outro. Anda quase colado na Selic, e é a régua usada por boa parte dos investimentos de renda fixa ("rende 100% do CDI").
IPCA: a inflação oficial do Brasil, medida pelo IBGE, acumulada nos últimos 12 meses. É o quanto os preços subiram, e o mínimo que qualquer investimento precisa render só para não perder poder de compra.
Dólar (PTAX): a cotação oficial da moeda americana, usada como referência por quem importa, exporta ou tem custo atrelado a produtos internacionais.
Veja os quatro indicadores atualizados agora, direto do Banco Central.
Como os quatro conversam entre si
Quando o IPCA (a inflação) sobe muito, o Banco Central costuma subir a Selic pra encarecer o crédito e desestimular o consumo, numa tentativa de segurar a inflação. Quando a Selic sobe, o CDI sobe junto (ele anda quase colado nela, normalmente um pouco abaixo), o que torna a renda fixa mais atrativa ao mesmo tempo em que encarece qualquer empréstimo ou financiamento.
Por que isso importa para o seu negócio
A utilidade de saber essas siglas não é parecer entendido, é proteger a sua margem. Na prática: se a Selic sobe, pegar dinheiro emprestado no banco fica mais caro, e o seu cliente que compra parcelado também sente o bolso mais apertado. Se o IPCA dispara, seus fornecedores tendem a cobrar mais caro pelos insumos; se você não repassar isso pro seu preço de venda na mesma velocidade, quem paga a diferença é a sua margem de lucro. O CDI é a sua régua pra desconfiar de proposta ruim: se o gerente oferecer um investimento pra reserva da empresa rendendo "80% do CDI", vale comparar com outras opções que rendem 100% do CDI com segurança parecida.
Mais termos, sem economês
Este artigo é só o começo. Reunimos outros termos do dia a dia financeiro, traduzidos da mesma forma direta, no nosso glossário.
Responsabilidade e fontes
Os valores dos indicadores mudam todos os dias; a página de indicadores busca o dado mais recente direto da API do Banco Central. Este artigo explica o conceito, não substitui a consulta ao valor atualizado no momento da sua decisão.
Perguntas frequentes
Selic e CDI são a mesma coisa?
Não, mas andam quase grudados. A Selic é a taxa do governo. O CDI é a taxa que os bancos usam entre si, costuma ficar perto de 0,10 ponto percentual abaixo da Selic, e é a referência mais usada pra render CDBs e fundos de renda fixa, por isso você vê tanto "100% do CDI" em propaganda de investimento.
Preciso acompanhar esses números todo dia?
Não é necessário. Vale a pena olhar sempre que for tomar uma decisão de crédito ou investimento, para saber se a taxa que estão te oferecendo está em linha com o que o mercado está pagando.
Veja também
- CDB, LCI ou Tesouro: qual rende mais, para ver esses indicadores decidindo um investimento na prática.
- Tesouro Selic ou caixinha do banco, outra comparação que depende de entender a taxa Selic.
