Seu caixa cobre o intervalo entre pagar e receber?
Direto ao ponto
- A maioria das empresas paga o fornecedor antes de receber do cliente, e esse intervalo custa dinheiro do próprio bolso.
- Esse dinheiro necessário para cobrir o intervalo se chama capital de giro.
- Use o Termômetro de Capital de Giro e veja se o seu caixa dá conta.
Neste artigo
Uma empresa pode vender bem, ter lucro no papel, e ainda assim ficar sem dinheiro no caixa em algum momento do mês. Isso acontece com mais frequência do que parece, e o motivo quase sempre é o mesmo: o intervalo entre pagar quem vende pra você e receber de quem compra de você.
O que é o ciclo financeiro
Se você paga o fornecedor em 30 dias, mas só recebe do cliente em 45 dias, existem 15 dias em que a operação está sendo bancada pelo seu próprio caixa, não pelo dinheiro que vai entrar. Quanto maior esse intervalo (chamado de ciclo financeiro), mais dinheiro parado a empresa precisa ter só para continuar rodando, mesmo vendendo exatamente como o planejado.
Um exemplo na vida real
Imagine uma empresa com custo fixo mensal de R$ 15.000,00, que recebe dos clientes em média em 45 dias e paga os fornecedores em 30 dias. O ciclo financeiro é de 15 dias, e a necessidade de capital de giro fica em torno de R$ 7.500,00 (o custo diário multiplicado pelos dias do ciclo). Com R$ 20.000,00 disponíveis em caixa, ela cobre a necessidade com folga.
Agora outra empresa, com custo fixo mensal de R$ 12.000,00, recebendo dos clientes em 60 dias e pagando fornecedores em 15. O ciclo financeiro sobe para 45 dias, e a necessidade de capital de giro chega a R$ 18.000,00. Se essa empresa tem só R$ 5.000,00 em caixa, cobre menos de um terço do necessário. É exatamente nesse tipo de aperto que muitos negócios recorrem ao cheque especial ou à antecipação de recebíveis, ambos caros.
Se sua empresa vende produto físico (não só serviço), existe um terceiro prazo que entra na conta: quanto tempo a mercadoria fica parada em estoque até ser vendida. Quanto mais tempo o produto demora a girar, maior o capital de giro necessário, mesmo que os prazos de pagamento e recebimento não mudem. E vale lembrar que os prazos de recebimento são uma média: se parte dos clientes atrasa ou não paga, o intervalo real fica ainda maior do que a conta simples sugere.
Descubra se o seu caixa cobre o ciclo financeiro do seu negócio.
O que fazer se o caixa não cobre
Três caminhos costumam ajudar: negociar prazos melhores com fornecedores (pagar mais tarde), negociar prazos menores com clientes ou incentivar pagamento à vista (receber mais cedo), ou reduzir custos fixos para diminuir o quanto cada dia de operação consome. Recorrer a crédito para cobrir capital de giro estruturalmente (todo mês, sempre) é sinal de que algum desses três ajustes precisa acontecer, não é uma solução de longo prazo. Quando negociar prazo não resolve, vale comparar o custo real das duas saídas mais comuns: antecipar o recebimento das vendas no cartão ou pegar um empréstimo de capital de giro.
Responsabilidade e fontes
O cálculo apresentado é uma simplificação da necessidade de capital de giro (custo diário multiplicado pelo ciclo financeiro), suficiente para uma primeira triagem. Uma análise contábil completa considera também estoque e outras variáveis do negócio.
Perguntas frequentes
E se eu recebo do cliente antes de pagar o fornecedor?
Ótimo sinal: nesse caso, o próprio fluxo do negócio se sustenta, sem necessidade estrutural de capital de giro parado. É a situação mais confortável para operar.
Capital de giro é a mesma coisa que reserva de emergência?
Não. O capital de giro cobre o funcionamento normal da operação, mesmo sem nenhum imprevisto. A reserva de emergência é para imprevistos pontuais, além da operação do dia a dia.
Veja também
- Guia completo de capital de giro, o panorama do tema inteiro, do conceito às saídas quando falta caixa.
- Antes de abrir o negócio, faça essa conta, para planejar esse intervalo antes de começar, não depois.
- Vale a pena antecipar o cartão?, uma forma de cobrir esse intervalo quando ele aperta.
